Cada ciclo eleitoral no Brasil traz uma nova rodada de preocupações com desinformação. E cada vez, a escala parece maior, as ferramentas mais sofisticadas, os danos mais difíceis de reverter. 2026 não vai ser diferente — mas talvez tenhamos aprendido algumas coisas.
O TSE implementou um conjunto de medidas para as eleições de 2026 que vai além do que foi feito em 2022. Acordos com plataformas de redes sociais para remoção mais rápida de conteúdo identificado como desinformação. Canais diretos de comunicação com a imprensa para desmentir boatos em tempo real. Programas de educação midiática em escolas.
O que funciona
A checagem de fatos tem um papel importante, mas limitado. Pesquisas mostram que as correções chegam a uma fração do público que viu a informação falsa original. E há o efeito de "backfire" — em alguns casos, a correção reforça a crença equivocada em pessoas muito comprometidas com ela.
O que parece funcionar melhor é a inoculação: expor as pessoas às técnicas de manipulação antes que elas sejam usadas, para que reconheçam quando estão sendo manipuladas. Programas de educação midiática que ensinam a identificar clickbait, fontes duvidosas e técnicas de edição de imagem têm resultados promissores.
O problema estrutural
Mas há um problema que nenhuma dessas medidas resolve: a desinformação prospera em ambientes de desconfiança nas instituições. Quando as pessoas não confiam na mídia tradicional, no governo, na ciência, elas ficam mais vulneráveis a narrativas alternativas — mesmo que falsas.
Reconstruir essa confiança é um projeto de longo prazo, que vai muito além das eleições. E começa com as instituições sendo merecedoras de confiança — o que nem sempre é o caso.